domingo, 8 de dezembro de 2019

A Rede na Folha de Montemor

MÊS: 2019-12
AUTORES: Ana Fonseca


Quando, em 2005, passei parte das férias de Natal debaixo de uma azinheira a apanhar
quantidades infindáveis de bolota, para fazer umas experiências de culinária, estava longe de
imaginar a proporção que o consumo de bolotas iria tomar uns anos depois. Isto terá
acontecido não muito longe de onde o pai do Mestre Salgueiro iria apanhar bolotas para
vender aos fazendeiros da Maia (para estes darem aos seus porcos) e assim fazer algum
dinheiro extra. 14 anos depois, o cenário mudou bastante e temos cerca de 10 empresas a ter
um rendimento consistente com base na transformação deste produto para a alimentação
humana, e uma miríade de outras proto empresas, que vão fazendo as suas experiências
incrivelmente diversas, de norte a sul do país. Desde leites, patês, pão, bombons, a
hambúrgueres, esparguete, ou bolachas e café, a imaginação, nesta área, parece não ter fim.
A bolota é um produto que apaixona e isto porque se encontra associada à recoleção, ao
envolvimento com a Natureza selvagem e a sua capacidade de gerar alimentos de forma
generosa, sem intervenção Humana. É o fruto de uma grande família, os carvalhos, que por
sua vez se subdivide em inúmeras espécies que se distribuem por todo o mundo, desde a
Coreia, à Califórnia, desde a Dinamarca a Marrocos. Em todas estas regiões o homem comeu
bolotas e criou técnicas para retirar os seus taninos que as defendem dos ataques dos insetos,
mas também as tornam amargas. Uma das técnicas era “o avelar” em que se as punham num
“cesto azeitoneiro”, feitos com rebentões de oliveira, no fumeiro, durante o inverno. Perdiam
os taninos e ficavam como as avelãs.
Há quem ainda lembre as “Castanholas”, provenientes de uma ou outra azinheira,
distribuídas no meio do montado, e que davam bolotas que pareciam castanhas de tão gordas
e doces que eram. E ainda quem fale de se conservarem em grandes tanques em salmoura,
para dar aos porcos no resto do ano, ou da fábrica que fazia óleo de bolota e rações para
animais, em Évora. E há ainda a má memória da fome e de comer bolotas porque não havia
mais nada.
A bolota foi ainda alvo de questões políticas quando os romanos chegaram à Península
Ibérica e perceberam que os locais não produziam trigo que pudesse servir de alimento aos
seus soldados, porque comiam bolotas. Então, toda uma campanha foi montada para
denegrir quem consumia bolotas, de forma a promover o trabalho da terra e a produção do
trigo. Campanha que se repetiu em Espanha, quando Franco recusou o pão de bolota como
alimento para aqueles que passavam fome, não querendo dar parte de fraco e reconhecer os
problemas que o país enfrentava. E lembremos ainda os Carvalhos, que eram usados como
ponto de encontro para as deliberações e reuniões locais das comunidades autodeterminadas,
em períodos em que o governo central não chegava às províncias do interior.
A bolota, esse alimento tão democraticamente distribuído, volta a ser alvo de reconhecimento
e transformação entusiasta. De alimento para os porcos, transformou-se em “alimento
funcional”, com propriedades nutritivas reconhecidas, um elevado poder antioxidante e
ausência de glúten, que o torna muito adequado para celíacos.
A bolota representa, desta forma, um rendimento extra, proveniente de uma gestão
sustentável e multifuncional dos nossos Montados. Mas também pode representar um
rendimento para os Carvalhais do nosso país, na sua maioria votados ao abandono, e ser
assim uma razão para a sua gestão sustentável. Vários municípios e indivíduos, manifestaram
já a vontade de abraçar este desafio. O Município de Montemor-o-Novo tomou a dianteira e
tem, em conjunto com diversos parceiros da região, promovido este produto junto da
restauração local. A Confraria Ibérica da Bolota vai, entretanto, ser criada e terá a sua sede
na Herdade do Freixo do Meio.
Possa este entusiasmo dinamizar um produto acima de tudo discreto e versátil e que a sua
promoção sirva para manter uma rede de empresas diversa, representativa da autenticidade e
criatividade do território, como resultado da exploração de sistemas multifuncionais
sustentáveis como são os nossos Montados e Carvalhais.

Ana Margarida Fonseca, 07/12/2019

sábado, 7 de dezembro de 2019

Km0 Montemorense nomeado para Prémio Notável Agro Santander





Não sei se é para ficarmos orgulhosos ou não, pois a notícia e nomeação parece-me revelar desconhecimento do que é a Rede de Cidadania e o Km0 Montemorense confundido com um projecto agrícola sustentável promovido por uma empresa agrícola mas, de qualquer modo, o facto do Km0 Montemorense despertar as atenções é, sem dúvida, relevante e aqui fica a notícia, e o link da página do evento.

Os Prémios Notáveis Agro Santander são prémios promovidos pelo banco Santander, em 4 categorias - Exportação, Sustentabilidade, Inovação, Empreendedorismo - e organizados pelo Global Media Group (DN, JN, TSF, Dinheiro Vivo), enquanto media partner do Banco Santander.
A escolha dos nomeados foi orientada pela Prof. Ana Costa Freitas, Licenciada em Agronomia e doutorada em Biotecnologia Alimentar, além de ex-conselheira da Comissão Europeia entre 2011 e 2013. A gala de entrega dos Prémios Notáveis Agro Santander 2020 será a 25 de fevereiro de 2020, no Auditório Santander, em Lisboa, e inclui um total de 85 nomeados em cinco categorias.

As 13 empresas nomeadas são: Delta Cafés (Cápsulas de café 100% biodegradáveis e sem plástico); Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (Garantir vinhos mais sustentáveis); Animar – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local (Aldeias Sustentáveis e Ativas); EDIA (Valorizar resíduos de plástico); Associação de Recursos Hídricos (Calcular a pegada hídrica); Herdade da Camoeira (Gestão sustentável do montado no combate às alterações climáticas); Sociedade Agrícola do Freixo do Meio (O montado tem novo design); Algaplus (Produzir algas em aquacultura); Aromas e Boletos (Cogumelos silvestres e ecológicos); KM 0 Montemorense (Produzir local e tradicionalmente); HNV Link (Agricultura de elevado valor); Instituto Politécnico de Portalegre (Métodos para produzir forragens em sementeira direta); Cereja do Fundão (Juntar cereja, mel e carqueja).

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Km0 Alentejo




Página nova no Blogue da Rede: Km0 Alentejo


Apesar de não ser uma acção da Rede de Cidadania de Montemor-O-Novo, pretendemos deixar nesta página notícias sobre o Km0 Alentejo, pois é uma evolução de um projecto iniciado pela Rede e por elementos da Rede, através do ICAAM, na Universidade de Évora.


DIVULGAÇÃO: Proposta de Regulamento do Mercado Municipal de MMN

DR, 2ª série, de 29/11/2019, nº 230, Parte H, página 331

MUNICÍPIO DE MONTEMOR-O-NOVO
Aviso n.o 19260/2019

Sumário: Consulta pública da proposta de Regulamento do Mercado Municipal de Montemor-o-
-Novo.

Consulta pública

Nos termos do disposto no artigo 101.o do Código do Procedimento Administrativo e do disposto
no artigo 241.o da Constituição da Republica Portuguesa, torna -se público que a Câmara Municipal,
em reunião de dezasseis de outubro de dois mil e dezanove, deliberou submeter a consulta pública,
pelo prazo de 30 dias úteis, a contar da data de publicação do presente Aviso em 2.a série do Diário
da República a Proposta de Regulamento do Mercado Municipal de Montemor -o -Novo, estando o
texto disponível no sitio eletrónico do Município ou presencialmente nos Serviços de Atendimento
da Câmara Municipal.
Os interessados poderão dirigir por escrito as suas sugestões endereçadas à Presidente da
Câmara Municipal, Largo dos Paços do Concelho, 7050 -127 Montemor -o -Novo ou remeter por
correio eletrónico para o endereço rsampaio@cm -montemornovo.pt no período acima mencionado.
18 de outubro de 2019. — A Presidente da Câmara Municipal, Hortênsia dos Anjos Chegado
Menino.

Proposta de Regulamento

DIVULGAÇÃO: Caravana AgroEcológica em Montemor-o-Novo



Desde Maio deste ano o grupo de investigação da Professora Sara Magalhães do cE3c, FCUL tem estado a trabalhar numa nova missão: tentar estreitar as relações entre investigação, produtores e consumidores (principalmente de produtos hortícolas) através da Agroecologia. Neste momento o grupo estão  a avançar com 3 iniciativas - os Dias Abertos dos Produtores, as Hortas nas Escolas e a Caravana AgroEcológica.

A Caravana AgroEcológica procura dar a conhecer a Agroecologia. Consiste numa metodologia participativa que resulta na realização de 4 rotas onde em Junho de 2020 se irá visitar experiências agroecológicas por diferentes regiões de Portugal. Participam na caravana agricultores, órgãos de comunicação social, escolas, instituições políticas e não-governamentais e consumidores em geral. As rotas têm prevista a duração de 4 dias, 3 noites e irão abordar de forma integrada os temas SOLO » SEMENTES » PLANTAS » ANIMAIS » CONSUMO, representando o ciclo dos agroecossistemas. No último dia, as rotas encontrar-se-ão no mesmo local (a Herdade do Freixo do Meio) onde os participantes irão partilhar as experiências vividas, com o objetivo de co-construir propostas para a criação de políticas publicas de apoio à Agroecologia. De forma a incluir a participação de todos, criámos os Amigos da Caravana AgroEcológica, onde os interessados podem acompanhar e participar na co-construção da Caravana. 
Com a Caravana AgroEcológica pretendemos fortalecer as redes e comunidades de agroecologia em Portugal.

O processo de co-construção da Caravana AgroEcológica apoia-se em várias equipas: os Mentores, que pontualmente ajudam a construir a Caravana nas suas áreas de especialização; a Comissão de Acompanhamento, um grupo de peritos que participa na co-construção da estrutura, princípios e objetivos da Caravana e das suas rotas; a Comissão Organizadora que agiliza e operacionaliza a Caravana; e as Equipas das Rotas que, localmente, colaboram na co-construção de cada rota.

A Comissão de Acompanhamento reuniu e definiu, entre outros, a pergunta, os objetivos e porque regiões devem passar as rotas da Caravana.

A Pergunta:
O que é a Agroecologia? Porquê e como a sociedade a deve apoiar?

Os objetivos:
__Fundamentar o conceito de Agroecologia, baseado em exemplos de boas práticas e perceções de diversos grupos de atores;
__Construir de forma participada conhecimento baseado na reflexão das experiências vividas principalmente por agricultores;
__  Conhecer e partilhar a realidade, importância e exemplos da Agroecologia em Portugal, envolvendo todos os seus atores.
__Co-construir linhas orientadoras e propostas para a adoção de políticas públicas de apoio à Agroecologia em Portugal;
__Fortalecer as redes e comunidades de Agroecologia em Portugal.

As regiões por onde devem passar as rotas:

ROTA 1 Beira Alta | Viseu Dão Lafões (rota realizada em parceira com outro projecto)
ROTA 2 Minho | Beira-Litoral | Ribatejo 
ROTA 3 Trás-os-Montes | Beira-Alta/Baixa |Alto -Alentejo 
ROTA 4 Algarve | Alentejo -Litoral |Baixo -Alentejo 

O processo de co-construção das rotas está a iniciar-se  localmente, pretendem  contar com a colaboração de mulheres e homens agricultores, associações locais, ONG's, cooperativas, juntas de freguesia, municípios, instituições, artistas, escolas e universidades locais.

Assim a  reunião para a co-construção da ROTA 4 Algarve | Alentejo -Litoral |Baixo -Alentejo  irá realizar-se no Auditório da Biblioteca Municipal de Montemor-o-Novo, dia 10 de Dezembro, terça-feira, pelas  15h00.

O objetivo da reunião é o seguinte:

- Apresentação da Caravana AgroEcológica (o que é, como funciona e o que pretende)
- Partilha pelos  participantes da sessão  de  experiências agroecológicas que  sejam  interessantes visitar durante a rota e porquê
- Outras informações

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Feira da Luz 2019 - moeda local

A Rede de cidadania convida todos os interessados pelo tema da moeda local a dirigir se ao pavilhão da associação A.MOR, associação para a moeda local de Montemor-o-Novo entre as 20 e 24h.
O pavilhão está na primeira "rua", logo a entrada da rua Manuel da Fonseca, perto do Palco das Tasquinhas.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

9 anos, foi no dia 17 de julho

Caros Redistas
Julho é mês de aniversário da Rede. Este ano fazemos 9 anos (!)
Por favor reservem já a data – a ver se nos encontramos todos e temos tempo para conversar.
Vamos celebrar no dia 24 de Julho, que é uma quarta-feira, mesmo ao fim da tarde, no Castelo, junto à Igreja de Santiago, onde já fizemos um pic-nic há uns anos.
A ideia é cada um levar qualquer coisa para comer e beber, incluindo copo e prato e talheres, e um banco ou cadeira para se sentar. E gostávamos de conversar sobre os grupos de trabalho e projectos que estão a funcionar, possíveis desenvolvimentos e cruzamentos entre eles, e sobre outros projectos que alguém queria lançar. E ficarmos a conversar com tempo. O Grupo Coordenador leva o Bolo de Aniversário !

Obrigado a todos
Grupo Coordenador da Rede de Cidadania

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

um desejo para 2019



Para começar bem 2019, gostávamos de refletir com ajuda da mensagem de um consultor/comentador que alguns poderão conhecer, no caso de seguirem a política internacional. Esta pessoa foi um diplomata britânico, era um político em ascensão, especialista nas questões mundiais mais difíceis e demitiu-se do seu cargo em 2003. Carne Ross, é seu nome, escreveu em 2011 “The Leaderless Revolution – How Ordinary People Will Take Power and Change Politics in the 21st Century” ou seja resumidamente como expressa o título em português: “A revolução sem líder” (Bertrand Editora, 2012). Porque falar deste livro nesta altura? Simplesmente, porque Carne Ross oferece para o início do ano, a mensagem, mais encorajadora que alguma vez poderemos ouvir vindo de alguém que esteve “metido até ao pescoço” na política internacional, a saber que existe forma de resgatar a esperança de que um mundo melhor, mais justo e equilibrado está ao nosso alcance.
O que nos diz Carne Ross e o que é que isso tem a ver com a Rede de Cidadania?
Na página 27 do seu livro, podemos ler: “Contudo, nesta crise existencial, eis que é revelado o primeiro ponto de apoio firme na face do penhasco dos problemas intransponíveis. A resposta tanto para a crise pessoal como para a crise coletiva é a mesma. E é simples. Pode ser apresentada por uma única palavra: arbítrio. Ter arbítrio sobre os acontecimentos – a sensação de controlo - é algo drasticamente ausente da condição contemporânea. A sua captura está disponível através de um mecanismo simples: a ação.” Assim chegamos à Rede de Cidadania, onde o que é feito vem da vontade das pessoas envolvidas deixando para trás a sensação de impotência perante os problemas. O individuo revela-se como motor da mudança que ele quer ver no mundo porque “significa que as ações no nosso próprio microcosmo podem ter consequências globais.” (p. 31) Isto é diferente de querer mudar o mundo complexo, tarefa muito difícil e com objetivos quase inatingíveis face à multitudes de problemas de todas as ordens (sociais, ambientais,…).
Agir é assumir os benefícios do debate e da responsabilidade partilhada, oferece uma maior sensação de cooperação, respeito e comunidade com os outros. Permite responder a uma necessidade, muitas vezes esquecida pela atual obsessão de bem-estar material, uma mais profunda sensação e propósitos próprios.
Obviamente, a Rede de Cidadania não se apresenta como salvadora da comunidade, longe disso, sejamos humildes, mas garante aos que se envolvem que localmente e sobre questões com as quais se preocupam, podem ter uma ação, se se-organizarem para tal.
Pelo que para 2019, temos um desejo claro: mais AÇÃO de todos!